Resenha: Rua da Padaria por Bruna Beber

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Resolvi que a partir de agora, tentarei ler pelo menos um livro de poesias a cada mês. Em março, escolhi Rua da Padaria da autora Bruna Beber. Estava passeando pelo Skoob e acabei descobrindo o título por acaso. Tanto ele quanto a capa me chamaram muito a atenção.

Optei por ler a primeira poesia para sentir o clima da escrita de Bruna e simplesmente me encantei. Quando vi, já tinha lido e desfrutado de cinco poesias, uma atrás da outra. A escrita da autora é leve e fácil. Ela aborda de maneira simples temas gostosos de ler como a infância.

Gostei bastante da experiência que tive com Bruna e não vejo a hora de ler mais obras dela como “Balés” e “Rapapés & apupos”.

de castigo na merenda

“felicidade é o que tem dentro

das bolinhas de papel

e se arremesso

lá vai ela

pela porta na careca

do inspetor

brinca de pique aposta

corrida numa perna só

quica sobre vira pipa

nos braços livres do céu

cai de algodão

das nuvens

e de sono nas penas

dos travesseiros

a felicidade é muito mais

desconcertante que a dor”

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Mesmo tendo menos de 30 anos no momento em que escreveu Rua da Padaria, Bruna fala de sua infância de forma melancólica, sempre demonstrando o quanto sente falta daquela época, como se tivesse sido há muitos e muuuuitos anos atrás.

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Lendo suas poesias, percebi que mesmo tendo apenas 18 anos, eu já sinto falta da minha infância. Afinal, o que é melhor na vida do que ser criança? Eu me identifiquei tanto com os versos de Rua da Padaria que comecei a parar de devorar as palavras para não acabar logo. Bruna também fala sobre outros assuntos da nossa realidade. Em seu livro, uma das minhas poesias preferidas é romance em doze linhas:

“quanto falta pra gente se ver hoje

quanto falta pra gente se ver logo

quanto falta pra gente se ver todo dia

quanto falta pra gente se ver para sempre

quanto falta pra gente se ver dia sim dia não

quanto falta pra gente se ver às vezes

quanto falta pra gente se ver cada vez menos

quanto falta pra gente não querer se ver

quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais

quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu

quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer

quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.”

É um livro bem curtinho e super recomendo, principalmente se você está à procura de um livro de poesias contemporâneo 

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